sábado, 14 de maio de 2011

Auto-Piedade



A auto piedade pode servir como parâmetro do quanto um alcoólico/drogadicto possa estar recaindo.

Embora seja difícil dizer ‘’quem está ou não recaindo ou em recuperação!!’’

Se você for dependente químico e quer saber se você é forte; experimente entrar em recuperação!

Posso afirmar!

Caso não consiga prontamente, não desista! Alimente-se das  buscas que devem ser feitas para fortalecimento e conhecimento; daí para  a  prática de um contextual compromisso e o desenvolvimento ocorrerá.

Não gostaria que se ofendessem com o que penso, mas: ‘’nas drogas não é possível ser forte’’.

Com o uso nocivo de qualquer droga, o organismo enfraquece, bem como todo meio social que se vive.

Dá para entender e justificar a ida de cada indivíduo  à sua primeira experiência com drogas.

Pelas razões que todos sabemos!

E por outras que não sabemos a fundo, mas que tem por base situações de aprovação de um grupo, curiosidade, influência e até dentro do próprio lar!!

Álcool é droga!!

A auto piedade domina um individuo de uma forma em que ele tenha pena de si mesmo.

Mas há um enredo em torno deste ‘’teatro inconsciente’’ que sugere o pensamento de que o pobre coitado do mundo é ele próprio!

Ato tolerável numa abordagem, por exemplo, já que -  senhores profissionais –  o sujeito estava até horas atrás usando drogas…

Que precisão  de uma entrevista poderá haver com ele?

Evidentemente todo o contexto narrado pelo dependente químico será envolvido com altas doses de falsa solidariedade e verdadeiras manias de depreciar-se,  muitas vezes sem perceber.

Penso diferente, por exemplo, dos elementos  que como eu, salvos hoje;  não dão mole a esse processo maluco!

E se o dá; luta para dele sair!

Essa luta é que vale a pena!

 E a força para lutar vem da ajuda ao próximo.

Seja ele alcoólico ou não. Seja quem for!

Desde que nossas tentativas não sejam em vão!

Só saberemos se foi; depois de ajudar!

Gostaria de lembrar que cada um define ajuda ok?

 Neste caso fica evidente que a tentativa é intervir no uso compulsivo em determinados momentos. Frear esse uso compulsivo!

A auto piedade pode acabar com uma vida.

Muitas pessoas vivem  experimentando tal sentimento.

Tal angústia.

Dela,  muitos dependentes não  têm conseguido se desprender, e assim sendo não permanecem sóbrios por muito tempo.

Que dirá em recuperação!

Lastimavelmente esse comportamento mantém  a resistência e a negação, impossibilitando um  tratamento regrado. Disciplinar. De difícil autonomia!

Usar drogas é escolha!

Não tem mais essa de papai, mamãe, meu carrinho, minha amante, meu padrasto, meu cachorro, minha mulher, minha ex- mulher, minha namorada, meu chefe, meu patrão,  meu vizinho, minha tia, meu prédio, a rua em que moro, a cortina e o sofá que estão na sala, o telefone, o presidente, o meu time, o time dele, Deus, o governo, o mundo, o Homem   (como se fossemos macacos ), e por fim argumentar sobre a de vastidão que o uso vem causando nas próprias vidas como se fosse tudo somente doença!

Somos de tudo um pouco!

Menos macacos!

Mas nos tornamos  menos que macacos ao justificarmos o uso, depois de tanto tempo, tantos anos…  com tanta dor e sofrimento e  assim continuarmos  insanos!!!

Tornamos difícil distinguir o que é sofrimento e trauma,  do que é auto piedade verdadeiramente!

Coitados…

Coitados?

De nossos pais, ex – esposas, namoradas, chefes…

Como já afirmei num texto enquanto eles não dormiam, muitos de nós gargalhávamos neuroticamente pelas madrugadas que se passou…

A auto piedade é um processo muito hostil e que domina de fato principalmente um  dependente químico.

Principalmente para que ele possa continuar usando mais drogas.

Justificando o uso através desse sintoma!

Tornam-nos  escravos de seu uso, sacrifícios de seu vicio. E parte dele!

‘’Deus dê compreensão a estes ou aqueles que lêem esse tema!’’

Não sou capaz nem mesmo de ter um auto-julgamento.

Só tento alertar o dependente químico que conhece ou não o tema!

Assim como o faria por mim. E o faço!

Para tentar entender…

Buscar mais conhecimento sobre este assunto e, render-se a um tratamento!

A todos aqueles que têm lutado para entrar em recuperação; prestem atenção a esse processo!

É só parte de todo o contexto que está ligado à obsessão e compulsão do uso de álcool e drogas.

Não precisa desistir. Nem deve.

Fortalecendo-se, e unidos, a luta se tornará menos cansativa, mais segura e  a cada dia com mais vitorias.

Pense e passe a acreditar.

Quem me conhece sabe como trabalho tal sentimento.

E não se importem  com algumas durezas, pois com esse assunto não dá para ser diferente!

Há de se respeitar cada história, cada partilha e cada relato a respeito da dependência química.

Os julgamentos ou más interpretações irão afugentar cada um que buscar solucionar o problema.

Como no inicio do texto comentei; o organismo pode estar impregnado de drogas.

O que de fato entendes sobre drogas? Seus caminhos?

Só não dá para aceitar auto piedade como se fosse uma vitimização ( ato pelo qual o uso leva uma pessoa a uma serie de riscos como ser roubado numa ‘’boca’’, agredido estando embriagado, etc ) .

Aos vencedores, que vem lutando contra esse processo hostil, que se transformam rapidamente em vítimas e percebendo isso resistem a briga;  desejo muita fé e força.

A todos aqueles que não têm conseguido mais prudência!

Atentar-se à espiritualidade.

Conscientizar – se quanto sua saúde e paz mental.

Perceber a diferença entre sorrir e estar em paranóia!

Não mais se esconder  em bueiros, porões, fundos escuros…

Sair à luz do dia!! Ah!!!………. luz do dia!………

Ser grato, são!

Lutar,  lutar e lutar!

Dormir e comer bem.

Sexo. Amor e carinho.

Paz.

E humildade !

confira o significado de auto-piedade

quinta-feira, 31 de março de 2011

Medo de mim



Carrego uma angustia forte em mim, sem direito a auto- perdão
Deposito no mundo as expectativas de uma vida que teve fim
Engulo seco o que é tristeza e frustração
Tenho medo de chorar de saudades, tenho medo das minhas vontades
Me escondo em casulos escuros e frios, para não enxergar a vida lá fora
Tenho medo
Não sei reconquistar meu andar de menino, não sei agir de acordo com o caminho
Escolho sempre o mais difícil, o mais penoso e só encontro maldade
Não sei me dar conta que mal sou eu quem faço, não sei me dar conta o quanto tudo estrago
Como no dia que o enfeite de porcelana se quebrou, desde de La só acredito em fracasso
O fracasso da vida
O fracasso do amor
E tudo que busco dentro de mim é o que ninguém imagina
È aquilo que não falo, somente aquilo que calo
Me envolvo em desilusão, me envolvo em mentiras mal contadas
Me puno, todo tempo, deixo a felicidade ir pelo ralo
Olho pro lado e penso, tanto faz...
Pode ser a mentira mais lavada, o faz de conta encanta mais
Aquilo que me traz prazer, aquilo que acredito ser o “não sofrer”
Esqueço
Esqueço de tudo, esqueço de todos e mais ainda esqueço quem sou
Sera que um dia eu soube quem sou?
Talvez eu soubesse quem era aquele menino que andava na rua chutando pedra
Andava
Me perdi de mim naquele instante, no momento que percebi que o que faltou foi correr
Fiquei perdido, mesmo agora homem
Tudo no meu coração só se faz corroer
Não consigo chorar mais
Não sei nem viver em paz
E de quem está perto, assumi a missão de atormentar também
Porque só eu tenho que ser infeliz??
Prefiro então, me envolver com aqueles que sei que me mantém
Não por amor, nem caridade
Me mantém longe daquilo que possa ser o verdadeiro amar
Manter distancia daquilo que pode ser realmente viver
A distancia de aproveitar a intensidade
È isso, me afogo numa vida sem dimensão, só imensidão
O nada
Me afogo no nada
Porque quando era menino, o tudo foi em vão!
Sorte triste, é saber e não poder mudar
E o tal caminho?
Cansei de procurar, continuo preferindo desviar
Minha vida, ficou lá, em quando eu era menino!

Fonte: Eutimia às Avessas

segunda-feira, 28 de março de 2011

Centro de Referência para formação de profissionais de atendimento a usuários de crack inscreve para cursos



A Faculdade de Enfermagem da UFPel abre pré-inscrições para o Centro de Referência para Formação de Profissionais da Rede SUS e SUAS no atendimento à usuários de Crack e seu familiares.

Serão oferecidas gratuitamente quatro modalidades de curso, com duração de 60 e 120 horas, com 60 vagas cada um. Os cursos ocorrerão às sextas e sábados, no campus Porto da UFPel, uma vez ao mês, com data de início a ser informada posteriormente.

A Universidade Federal de Pelotas, através da Faculdade de Enfermagem, oferecerá os cursos para 11 municípios da 3ª Regional de Saúde, ficando os outros 11 a cargo da Furg. Os municípios que farão parte da abrangência da UFPel serão: Pelotas, Cristal, Morro Redondo, São Lourenço do Sul, Piratini, Turuçu, Capão do Leão, Canguçu, Amaral Ferrador, Santana da Boa Vista e Arroio do Padre. Os municípios da 7ª Regional de Saúde também farão parte e poderão optar em realizar os cursos em uma das universidades sede.

Os cursos fazem parte das ações do Plano Nacional de Combate ao Crack e serão financiados pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Os participantes receberão material didático, alimentação e hospedagem quando necessário, além da certificação, ficando o deslocamento por conta dos municípios.

Serão oferecidos os seguintes cursos:
- Curso de Aperfeiçoamento em Crack e outras Drogas para Médicos atuantes no Programa de Saúde da Família - PSF e no Núcleo de Assistência à Saúde da Família - NASF (duração: 120h - 60 vagas)
- Curso de Atualização em Atenção Integral aos Usuários de Crack e outras Drogas para Profissionais atuantes nos Hospitais Gerais (duração: 60h - 60 vagas)
- Curso de Atualização sobre Intervenção Breve e Aconselhamento Motivacional em Crack e outras Drogas para Agentes Comunitários de Saúde e Redutores de Danos, Agentes Sociais profissionais que atuam nos Consultórios de Rua (duração: 60h - 2 turmas de 60 vagas)
- Curso de Atualização em Gerenciamento de Casos e Reinserção Social de Usuários de Crack e outras Drogas para Profissionais das Redes SUS e SUAS(duração: 60h - 60 vagas).

Serão priorizados os profissionais ligados à rede SUS e SUAS, da rede básica e hospitalar, respeitando a proporcionalidade entre os municípios e as áreas prioritárias. No caso das vagas não serem totalmente preenchidas, estas serão abertas para profissionais da comunidade.

Para ministrarem as aulas serão chamados profissionais e professores de renome nacional da área de dependência química e reabilitação, buscando dar um enfoque para a formação de redes de apoio ao dependente e sua família. O programa será divulgado posteriormente, assim que for definida a data de início, quando os candidatos serão contatados para confirmarem suas vagas.


Maiores informações pelo telefone (53) 3921-1525.

sábado, 19 de março de 2011

Crack ou oxi, sinônimos de morte


por (*Archimedes Marques)

Em recente pesquisa sobre o presente tema notei que alguns setores da imprensa brasileira identificaram o que seria uma nova droga também proveniente da cocaína: o oxi. Tal droga seria uma espécie de crack piorado, vez que em sua composição química, vários outros produtos são adicionados pelos traficantes manipuladores no intuito de aumentar o lucro financeiro do seu comércio, com o barateamento do produto que assim é sempre melhor consumido pela classe mais pobre do nosso país.

É fato científico que para se fabricar o crack, é usada a pasta base da cocaína que adicionada ao bicarbonato de sódio em proporções equivalentes, manipulados com solventes, se transformam em espécie de pedra meio tenra de cor branca caramelizada. Assim, oficialmente o crack é composto basicamente do lixo da cocaína e do bicarbonato de sódio.

Já o oxi vai mais além na sua insanidade. O seu nome de batismo deriva do verbo oxidar, vez que a borra da cocaína ao ser diluída com o ácido sulfúrico e o ácido clorídrico, misturados e manipulados com a cal virgem, querosene ou gasolina, além do próprio bicarbonato de sódio em combinação com o oxigênio, realiza a transformação química, oxidando o produto também em forma de pedra, só que mais amarelo e bem mais nocivo que o crack.
Em todos os artigos que escrevi sobre o crack sempre contestei a sua fórmula química oficial que não existe em sua composição qualquer produto inflamável. Em contra senso, observa-se perfeitamente que há na pedra do crack o cheiro inconfundível de gasolina ou querosene, ademais alguns usuários me disseram que o odor e o gosto da fumaça inalada é semelhante a pneu queimado, razão pela qual, sempre falei que a cal, o querosene ou gasolina, os ácidos sulfúrico e clorídrico e o bicarbonato de sódio, além da pasta base da cocaína, fazem parte da composição química dessa droga, entretanto agora aparece o oxi como sendo o dono de tal fórmula diabólica.

Em assim sendo, fica a dúvida se os viciados brasileiros estariam consumindo o crack ou o oxi, o que, em absoluto não faz muita diferença. Parece no meu ver, apenas uma questão de nomenclatura. Crack ou oxi se confundem e representam a degradação humana, sofrimento e dor nas suas formas mais drásticas possíveis.

Crack e oxi também pode ser uma coisa só e a fórmula que tanto descrevi e combati veementemente pode ser a exata em detrimento à fórmula oficial do crack originada dos EUA, há mais de três décadas atrás. A não ser que o crack dos norte-americanos seja diferente e menos perigoso que o nosso crack. A não ser que o nosso crack seja na verdade o oxi, um crack piorado, falsificado e abrasileirado como tantos outros produtos importados.

Na verdade, sendo crack ou oxi, o usuário ao fumar toda essa parafernália de produtos altamente nocivos e perigosos, aspira o vapor venenoso para dentro de seus pulmões, entrando em conseqüência na sua corrente sanguínea. Como a droga é inalada na forma de fumaça chega ao cérebro muito mais rápido do que a cocaína ou de qualquer outra droga, causando também malefícios mais abrangentes para o usuário que sempre vicia a partir do seu primeiro experimento.

O usuário do crack ou oxi pode ter convulsão e como conseqüência desse fato, pode levá-lo a uma parada respiratória, coma ou parada cardíaca e enfim, a morte. Além disso, para o debilitado e esquelético sobrevivente seu declínio físico é assolador, como infarto, dano cerebral, doença hepática e pulmonar, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC), câncer de garganta e traquéia, além da perda dos seus dentes, pois o ácido sulfúrico presente na absurda fórmula dessas drogas assim trata de furar, corroer e destruir a sua dentição.

É fácil de concluir que os problemas deixados pelo crack ou oxi em todas as áreas sociais crescem em grandes proporções e atingem em cheio o nosso povo, deixando rastros de lama, miséria, sangue e lágrimas, em destaque, para a classe mais pobre do nosso país, mais de perto, para os jovens menos avisados que se lançam nesse profundo poço de difícil retorno.

*(Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br

Quem se encontra em situação de risco ao uso de drogas?



"Todos os adolescentes". O fumo, o álcool e as drogas estão disponíveis, e a maioria dos jovens são objeto de pressão para o início de seu uso. Sem dúvida, alguns adolescentes estão em maior risco do que outros. Os três fatores mais importantes são a história familiar, o uso por parte dos pais e certas características individuais.

A história familiar de alcoolismo indicaria uma predisposição genética, teoria sustentada em estudos de filhos adotivos. Não só é fator de risco o uso por parte dos pais, mas a atitude, a educação e as medidas disciplinares inconsistentes com relação ao uso de substâncias aos seus filhos.

Quando uma família está socialmente isolada é maior o perigo de uso de substâncias e aumenta o índice de abuso físico e sexual ou de fuga do lar. Outros fatores familiares predisponentes são o estresse causado por uma separação, divórcio, novas uniões conjugais, desemprego e doença ou morte de um dos pais.

Um dos mais poderosos fatores predisponentes ao uso de substâncias é a influência do grupo de iguais. Um adolescente cujos melhores amigos usam o fumo, o álcool e outras drogas será mais facilmente levado a experimentar do que aquele cujos amigos evitam as drogas e não estão de acordo com seu uso. 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Dilma abre seminário sobre centros de referência em crack




Da Agência Brasil

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff abre hoje (17), às 10h, no Palácio do Planalto, o seminário sobre a implantação dos centros regionais de Referência em Crack e outras Drogas. O objetivo dos centros, aprovados pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) no fim do ano passado, é capacitar profissionais da saúde e educação que atuam com o tema da dependência química.

Participam do seminário representantes das instituições de ensino superior selecionadas para oferecer cursos de aperfeiçoamento no tratamento de dependentes de crack e de outras drogas e a secretária da Senad, Paulina Vieira Duarte. A cerimônia de abertura também deve contar com a presença dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, da Educação, Fernando Haddad, da Saúde, Alexandre Padilha, e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.

domingo, 30 de janeiro de 2011

O que é um adicto e 12 Passos?



 

A tarefa de definir adicção tem desafiado médicos, juízes, padres, adictos, suas famílias e as pessoas em geral, por toda a história. Existem tantas definições potenciais quanto existem grupos com interesses em definir adicção. A questão, inclusive, começa logo ao se nominar a doença: dependência química ou adicção, dependentes químicos ou adictos. Não importa, a verdade é que essas definições enfatizam coisas tais como dependência fisiológica, dependência psicológica, dinâmica familiar, problemas comportamentais e moralidade. Esta lista poderia ser bastante incrementada, e qualquer um poderia chegar com sua própria definição e acrescentá-la à lista. Ainda assim, definir adicção para mim é sem dúvida importante para o processo de recuperação. Afinal de contas, no Primeiro Passo admiti impotência perante ela. Esta admissão é a fundação sobre a qual minha recuperação é construída. Então a pergunta "O que é Adicção?" é, de fato, relevante.

Neste questionário, vou tentar responder a esta e a outras perguntas relativasà adicção.
Existem pelo menos três tipos de usuários de drogas:
O usuário leve

. O usuário leve é alguém que usa drogas apenas por brincadeira, influência de " amigos", protesto contra alguma situação familiar etc. Ele não se deixa levar pelo ambiente da droga. Trabalha e/ou estuda normalmente, cria raízes, implanta família. Quando chega o momento de assumir suas responsabilidades diante do contexto social, simplesmente abandona as drogas.
O dependente psicológico

. O dependente psicológico tem efetivamente alguma dependência. Mas consegue abandonar o uso com relativa facilidade depois de uma terapia médica e uma desintoxicação. Muitos fazem esse desligamento através da entrega de sua vida ao Senhor.
O dependente químico (adicto)

. Quanto ao dependente químico, ou adicto (denominação preferida pela instituição Narcóticos Anônimos), a situação se complica. É portador de uma doença chamada dependência química, progressiva, incurável e fatal, conhecida também como adicção: tem obsessão para usar a primeira dose e, quando o faz, passa a sofrer de compulsão (não consegue mais parar). Deixa a droga influir em sua vida, coleciona fracassos, tem depressão, tenta o suicídio, envolve-se em crimes e falcatruas. É com ele que nos preocupamos. Mas antes de chegar ao ponto principal, achamos conveniente fazer alguns esclarecimentos:
1. Quais são as instituições envolvidas com a programação dos 12 Passos?

a. a primeira e mais antiga é a dos Alcoólicos Anônimos (AA). Destinado especificamente ao dependente químico, ou adicto, que teve envolvimento com a droga lícita - álcool.

b. a segunda é o Al-Anon . Existe para cuidar dos familiares do dependente químico de álcool.

c. uma terceira chama-se Narcóticos Anônimos (NA), com o objetivo de ajudar os dependentes químicos ou adictos que usem abusivamente qualquer tipo de droga.

d. a quarta chama-se Nar-Anon e destina-se aos familiares (ou co-dependentes, num linguajar mais técnico) de quem usa abusivamente qualquer tipo de droga.
2. Qual a diferença entre AA e NA?

O AA reconhece a existência apenas de uma doença presumivelmente chamada de alcoolismo. Para a irmandade, tratar do alcoolismo é o bastante. Já o NA reconhece a existência de uma doença chamada DEPENDÊNCIA QUÍMICA, que, entre outros sintomas, apresenta o do USO ABUSIVO DE DROGAS - aí incluída a droga lícita (álcool) e as ilícitas (maconha, cocaína, etc). Importante frisar que NA considera droga até o tranquilizante - desde que sob uso abusivo e sem motivação médica comprovada. Para o NA, a dependência química tem outros sintomas - o mais comprovado é o desvio de caráter.
3. o que é a dependência química (adicção)?

É uma doença com raízes mental (obsessão) e física (compulsão). Atua em todas as áreas (física, mental e espiritual) do indivíduo. A dependência química/adicção é progressiva, incurável e de determinação fatal. Progride mesmo quando o dependente químico/adicto não está "na ativa"- ou seja, quando não está usando drogas. O dependente químico/adicto em recuperação consegue apenas estacionar a doença, nunca curá-la. E a doença mata degradando - acidentes de carro, suicídios, assassinatos. Quem não morre tem como outros destinos a prisões ou o hospício.
4. A dependência química/adicção é adquirida ou hereditária?

Nenhum estudo conseguiu comprovar a origem da doença. Há pouco tempo, um pregador brasileiro declarou sua satisfação de ter recebido uma educação evangélica - que, segundo ele, evitou seu envolvimento com drogas. É um grave equívoco, nos centros de recuperação existem dezenas de filhos e filhas de pastores que, apesar da educação severa, envolveram-se com drogas por causa da doença. Assim como existem milhares de lares desajustados onde, apesar de todo o sofrimento, não existem dependentes químicos/adictos.
5. como explicar o modus operandi de um dependente químico/adicto?

Há uma mulher muito bonita numa praia. Sozinha. O homem normal olha para a mulher, sente desejo por ela, pensa em assediá-la. Mas raciocina, lembra que ela pode ter namorado, noivo, marido. Acha melhor ir embora pra não se envolver em confusão (Reflexão e ação).
O dependente químico/adicto olha pra mulher, sente a obsessão e parte para o assédio, impulsivamente. Só depois é que vai pensar na conseqüência de seus atos (Ação sem reflexão).
6. o que são os 12 Passos?

As quatro irmandades paralelas aplicam uma terapia chamada de Programação dos 12 Passos. O dependente/adicto pratica cada um dos passos, um por um ou paralelamente, conseguindo ficar limpo (sem usar drogas) um dia de cada vez. Na Programação de 12 Passos, o dependente químico/adicto assume consigo mesmo o compromisso de ficar sem drogas apenas 24 horas de cada vez. Não existe passado ou futuro. Só o hoje. Um dos slogans mais conhecidos é "só por hoje nunca mais".
7. Todos são obrigados a praticar esses 12 passos?

Na programação ninguém é obrigado a nada. Tudo é apenas sugerido. Ninguém tem que dar satisfações a ninguém. Só a si mesmo. Se alguém entrar na programação para agradar ao pai, mãe, mulher, marido, a quem quer que seja, muito provavelmente recairá. Só consegue ficar limpo quem tem compromisso com si mesmo. Só por hoje.
8. Quem dirige AA e NA?

Ninguém. São as únicas organizações com estrutura administrativa baseada no anarquismo político que realmente deram certo. Não há chefes, nem diretores, nem gerentes. Quem manda é a consciência coletiva - um colegiado com todos os membros - e, acima dela, Deus. Para ser membro de AA ou Na basta querer parar de usar. Não precisa dar nome, endereço, nada. Não existem fichas ou cadastros. Ninguém fala em nome das irmandades. Qualquer posição é pessoal.
9. Qual a religião de AA e NA?

Não existe. As irmandades são espirituais, mas não religiosas. Os 12 passos falam de um Deus, mas "da forma como o adicto o compreende". Para evitar debates teológicos ou até mesmo fundamentalistas, as irmandades chamam Deus de "Poder Superior". Mas o segundo, o terceiro e o quarto passos recomendam uma aproximação maior com Deus. A programação deixa claro que sem Deus não existe recuperação.
10. Todo mundo que usa droga é dependente químico?

Não. Embora a programação limite-se a cuidar de quem é dependente químico/adicto, a experiência mostra que existem três formas de convívio com a droga:

- nenhum convívio. A pessoa nunca experimenta a droga ou, depois de experimentar, prefere outros caminhos.

- convívio por vício. O indivíduo tem uma dependência física ou emocional, que consegue deixar depois de um tratamento terapêutico ou mesmo porque resolveu mudar de vida.

- convívio por dependência química/adicção. O dependente/adicto não consegue deixar a droga, precisa de uma terapia específica - normalmente, só a programação de 12 Passos consegue estacionar a doença dele.
11. Como saber se alguém é dependente químico?

Embora existam sinais claros, AA e NA preferem que o próprio dependente reconheça esse fato. Admitir que tem a doença é o Primeiro Passo de um adicto. Eu não posso dizer que alguém é adicto. Só posso dizer que eu sou...
12. Como levar alguém para NA ou AA?

Preferencialmente, de forma alguma. O próprio dependente químico/adicto deve reconhecer sua necessidade de procurar uma irmandade. Só se dá ajuda a quem pede ajuda. Se eu não quiser ajuda, ninguém poderá fazer nada.
13. Al-Anon e Nar-Anon ajudam a cuidar de um adicto?

A doença é contagiante. Um familiar acaba adquirindo hábitos e comportamento de um dependente químico/adicto. As duas irmandades ensinam o familiar a cuidar de si próprio para não sofrer tanto com o adicto. Agora, claro que, frequentando uma irmandade, o familiar acaba descobrindo a existência da doença, como se manifesta e, assim, acaba também por agir de forma diferente junto ao dependente. E no final influi na decisão de o dependente procurar ajuda também.