sábado, 11 de setembro de 2010

Dobrar com o vento

























































"Aprendemos a tornar-nos flexíveis ... À medida que novas coisas são reveladas, sentimo-nos renovados." Texto Básico, p. 113


A palavra "flexibilidade" não fazia parte do nosso vocabulário quando usávamos. Tínhamo-nos tornado obcecados com o prazer cru das nossas drogas, fechando-nos aos prazeres mais doces, subtis, e infinitamente mais variados, do mundo à nossa volta.

A nossa doença tinha tornado a própria vida numa ameaça constante de prisões, instituições, e morte, uma ameaça que nos fazia endurecer ainda mais. No fim tornámo-nos frágeis. Bastou o mais pequeno sopro do vento da vida para que acabássemos por ruir, quebrados, derrotados, sem escolha senão rendermo-nos.

Mas a maravilhosa ironia da recuperação é que, na nossa rendição, encontrámos a flexibilidade que havíamos perdido na nossa adicção, e cuja falta nos havia derrotado. Recuperámos a capacidade para dobrar perante os ventos da vida sem quebrar.

Quando o vento soprava, sentíamos a sua doce carícia de encontro à pele, onde antes teríamos endurecido como se estivéssemos a ser fustigados por uma tempestade. Os ventos da vida sopram na nossa direcção a cada momento, e com eles novas fragrâncias, novos prazeres, variados, subtilmente diferentes.

Quando dobramos com o vento da vida, sentimos, ouvimos, tocamos, cheiramos e saboreamos tudo o que ela tem para nos dar. E à medida que novos ventos sopram, sentimo-nos renovados.
Só por hoje: Poder Superior, ajuda-me a dobrar com o vento da vida e ganhar valor com a sua passagem. Liberta-me da rigidez.
"