quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Nunca desista

A caminhada é difícil
Depois de longos e duros 16 anos enfraquecido, num caminho sem volta encontrei uma saída: "a vida".Foi quando vi que tinha perdido toda a alegria e a noção da hora de chegar. Notei que era hora de partir para uma melhor, mas para isso precisava parar apenas. Uma decisão que nada mais é do que a conversão das informações em ação, assim sendo, a ação tomada com base na apreciação de informações. Decidi recomendar entre vários caminhos alternativos que me levaram a um determinado resultado.

Esse caminho trilhado foi duro e árduo, porém, gratificante, válido e muito pertinente. Me trouxe novos horizontes com milhares razões de querer realmente viver. Para isso foi preciso escutar e acreditar "que um outro mundo era possível" e dar o primeiro passo que foi a rendição. Pedi ajuda para as pessoas que não só sempre me ajudaram, e que também todos dias me perguntavam: "Tem certeza que você não quer ajuda?".

Minha prepotência, arrogância, total falência mental, física e espiritual me levavam sempre a mesma resposta: "Não eu estou bem. Consigo sozinho e sei me controlar... ". O que era totalmente mentira pois eu não aceitava que realmente precisava de ajuda pois tinha perdido o controle e o domínio da minha vida.

Após alguns meses, isolado do "mundão mundano", trabalhando com regras, oração e disciplina pude refletir que o problema era bem maior do que eu podia imaginar: "descobri que eu sou portador de uma doença chamada - Adicção".

"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma..."
(Memórias de Minhas Putas Tristes - Pg. 74)
Gabriel García Márquez

Aprendi que só por hoje irei avançar no trajecto da minha recuperação dando um passo em frente e nada mais!